IEPS e mais 250 organizações de 47 países assinam “Declaração de São Paulo”, sobre a saúde planetária

Documento publicado na revista The Lancet é “chamado urgente para transformar a forma como vivemos”, alertam organizadores.

A Aliança pela Saúde Planetária, um consórcio global de organizações da sociedade civil, e a Universidade de São Paulo (USP) lançaram a “Declaração de São Paulo”, sobre os desafios da saúde planetária no pós-pandemia. Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade e Mudanças Climáticas, a COP26, que começa em 31 de outubro na Escócia, o objetivo do documento é fazer um apelo para as lideranças políticas garantirem a saúde e o bem-estar das próximas gerações.

Cerca de 250 entidades de 47 países, representando 19 setores da sociedade, assinam o documento, entre elas o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).

O documento destaca que a COVID-19 é “um ponto de inflexão” na história da humanidade e que “evidencia a necessidade de atenção à saúde humana”. No entanto, a Declaração relembra que as degradações dos ecossistemas já se apresentam há bastante tempo como ameaças à saúde, ao contribuírem para a poluição do ar, da água, do solo e podendo ser, até mesmo, a causa de novas pandemias.

“É difícil exagerar a urgência deste momento. A ciência da saúde planetária demonstra de forma convincente que a degradação contínua dos sistemas naturais do nosso planeta é um perigo claro e presente para a saúde de todas as pessoas em todos os lugares”, afirma Sam Myers, cientista em saúde ambiental da Escola de Saúde Pública de Harvard e diretor da Aliança pela Saúde Planetária.

Myers ainda alerta que, na trajetória atual de consumo e degradação ambiental, não é mais possível garantir a saúde e o bem-estar humanos, que estão em uma “encruzilhada”. A Declaração de São Paulo cobra mudanças na maneira como produzimos e consumimos alimentos, energia e bens manufaturados. O documento também recomenda que:

  • Empresas implementem planos de negócios visando à emissão zero de carbono.
  • Os governos priorizem a saúde e o meio ambiente em políticas e orçamentos nos planos de recuperação econômica pós-COVID-19.
  • A imprensa enfatize coberturas voltadas para a preservação da natureza e combata a desinformação sobre a pandemia e a mudança climática.

As recomendações da Declaração foram apoiadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e elaboradas no Encontro e Festival Anual de Saúde Planetária deste ano, em São Paulo, e após consulta global com cerca de 350 participantes de mais de 70 países.

Leia aqui a Declaração de São Paulo em português