Primeiro dia de webinário sobre efeitos da pandemia enfatiza atenção a crianças e adolescentes na retomada

IEPS, Imds e Banco Mundial promovem evento “Mapeando e Enfrentando os Efeitos de Médio e Longo Prazo da Pandemia de Covid-19”

O primeiro dia do webinário “Mapeando e Enfrentando os Efeitos de Médio e Longo Prazo da Pandemia de Covid-19” debateu os impactos da pandemia em crianças e adolescentes, em diferentes áreas. O evento é uma parceria entre o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) e o Banco Mundial, e conta com a participação de especialistas em saúde, educação, gestão de políticas públicas e economia, em dois dias de palestras.

O diretor de pesquisa do IEPS, Rudi Rocha, o diretor-presidente do Imds, Paulo Tafner, e o coordenador setorial do Banco Mundial para desenvolvimento humano no Brasil, Pablo Acosta, deram as boas-vindas:

“Este é um evento que propõe responder a um desafio que considero dos mais difíceis: mapear impactos da Covid-19 e pensar o futuro, principalmente de olho na infância”, disse Rudi Rocha.

“Convidamos especialistas para fornecer aos participantes uma visão panorâmica sobre os efeitos da Covid-19 na vida humana. Nos painéis não teremos apenas apresentações, mas interações para usufruir e aprender no evento”, disse Tafner.

“Se nada for feito, o Brasil pode demorar quatorze anos para recuperar o que foi perdido, segundo dados preliminares do Banco Mundial. O evento, portanto, reforça o compromisso de debater estratégias contra a Covid-19, sendo importante pensar de forma multissetorial, para mitigar os impactos da pandemia”, afirmou Acosta.

A primeira panelista do webinário é uma das principais vozes na comunicação entre a ciência e a população durante a pandemia: a médica pneumologista, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante do Conselho Deliberativo do IEPS Margareth Dalcomo. No painel de abertura, a pesquisadora lembrou o alerta feito ainda em março de 2020 sobre os possíveis impactos da Covid-19 no Brasil, que, segundo ela, não foram levados a sério pelas esferas de governo no Brasil:

“Nunca houve no País processo centralizado de se espelhar em experiências de combate a pandemias, nem processos de antecipação das consequências sociais e econômicas, que atingiram em cheio a infância e a juventude”

Dalcomo destacou o que pode ser feito a partir de agora, para controlar a pandemia e, consequentemente, atenuar os impactos da Covid-19 entre crianças e adolescentes. “Precisamos acelerar a cobertura vacinal em populações de menor idade e pensar em uma integração maior entre ciência e educação nas escolas, para combater o negacionismo nas novas gerações”.

O secretário municipal de saúde de Niterói (RJ), Rodrigo Oliveira, também ressaltou o papel da escola em mitigar os danos socioeconômicos e imediatos da pandemia. No painel “Primeira Infância (0 a 5 anos)”, o gestor, no entanto, lamenta que, no Brasil, parte das crianças e dos adolescentes não tenha tido essa oportunidade:

“O Brasil foi o País que ficou mais tempo com as escolas fechadas, mesmo quando a escola não estava entre os principais espaços de transmissão do vírus. A escola é um dos elementos mais fundamentais de proteção social, contra violência doméstica e como auxílio na nutrição dos estudantes, por exemplo”.

A líder global em primeira infância do Banco Mundial, Amanda Devercelli, trouxe dados que expõem a realidade de crianças e adolescentes fora das salas de aula durante a pandemia. Um estudo preliminar do banco e realizado em uma nação não revelada da América Latina mostra que 30% dos domicílios do país analisado enfrentam situação de insegurança alimentar, o que coloca o desenvolvimento físico e intelectual de crianças e adolescente em risco; 14% das crianças e dos adolescentes deixaram, no período, de ter o acompanhamento de pais ou responsáveis. 

“Nos primeiros cinco anos de vida, todas as vias neuronais se formam, tanto em termos de uso do idioma, quanto em relação às funções cognitivas. Impactos longos e severos sobre a aprendizagem, como o que enfrentamos durante a pandemia de Covid-19, podem colocar em risco a saúde e a produtividade de crianças no futuro, disse Devercelli.

A líder global em primeira infância do Banco Mundial destaca que as crianças devem ser prioridade em políticas na retomada pós-Covid-19, as mais vulneráveis devem ter atenção especial, e os pais e responsáveis precisam também de apoio socioeconômico.

Em dois dias de evento online, especialistas vão sugerir caminhos para a gestão pública recuperar o tempo perdido e retomar a escolarização, a saúde e a assistência social. Tudo isso, considerando as mudanças e efeitos de médio a longo prazo trazidos pela pandemia.

Nesta quinta, dia 25, o primeiro painel começa às 9h, sobre crianças e pré-adolescentes, de 6 a 12 anos. Confira a programação:

Painel Crianças e Pré-adolescentes (6 a 12 anos) – 25/11, 9h-10h30

• Moderadora – Claudia Colucci, jornalista.

• Panelista Educação – Claudio Moura Castro, economista.

• Panelista Saúde – Paulo Bonilha, médico pediatra e sanitarista.

• Panelista Assistência Social – Renan de Almeida Sargiani, neurocientista cognitivo.

• Panelista Gestão Pública – Fred Amancio, Secretário de Educação de Recife.

Painel de fechamento – Geração de Dados – 25/11, 10h45-12h15

• Moderador – Ricardo Gandour, jornalista.

• Panelista 1 – Andrezza Rosalém, Oppen Social.

• Panelista 2 – Eduardo Rios Neto, presidente do IBGE.

• Panelista 3 – Eleonora Cruz Santos, diretora de estatística e informações da Fundação João Pinheiro.

• Panelista 4 – Michael França, pesquisador do Insper e colunista da Folha de S.Paulo.

 

A transmissão é no link: https://youtu.be/iruBatqOPBM