Afluentes conclui ciclo de formações com 342 profissionais de saúde do Oeste do Pará
Foto: Denix Almeida/IEPS
Foto: Denix Almeida/IEPS
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O projeto Afluentes, iniciativa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), encerrou, em 16 de junho, um ciclo de formações que mobilizou 342 profissionais de saúde atuantes em 136 unidades de saúde de Aveiro, Belterra, Curuá, Oriximiná, Itaituba e Santarém, localizados no Oeste do Pará. As atividades foram concebidas com o objetivo de apoiar a incorporação, na rotina dos profissionais, de estratégias para fortalecer as linhas de cuidado de Pré-Natal e Hipertensão Arterial Sistêmica nos territórios.

“A missão do Afluentes é apoiar os profissionais na organização dos fluxos de cuidado, no acompanhamento dos usuários e na adaptação das ferramentas do projeto às necessidades do território, para que tecnologia, protocolos e dados se traduzam em cuidado contínuo para gestantes e pessoas com hipertensão”, explica Marcela Acioli, gerente de políticas públicas do IEPS e uma das responsáveis pelo projeto.

As formações utilizaram como referência Guias Práticos elaborados pela equipe técnica do IEPS, com adaptações das linhas de cuidado do Ministério da Saúde à prática dos serviços e às especificidades dos territórios amazônicos. Segundo Acioli, o ciclo também funcionou como um espaço de escuta e aprimoramento dos materiais em diálogo com as equipes participantes, aproximando os guias da realidade dos serviços e das formas como o cuidado acontece no cotidiano das unidades.

Formação em Santarém-Planalto

Formações utilizam metodologia conectada à realidade dos territórios

Em territórios amazônicos, onde o acesso aos serviços pode ser dificultado por distâncias fluviais, instabilidade de conectividade, escassez de profissionais e barreiras logísticas, a qualificação das equipes precisa dialogar com as condições concretas de cada localidade. Para Acioli, esse foi um dos princípios que orientaram a construção metodológica das formações.

“Não basta apresentar um protocolo. É necessário construir caminhos para que ele seja viável na rotina da unidade de saúde, nas visitas dos agentes comunitários, nas ações comunitárias, nos atendimentos programados e nos momentos em que o usuário consegue chegar ao serviço”, afirma. 

As formações combinaram apresentação técnica, discussão de casos reais, simulações, jogos educativos e exercícios de aplicação prática. A proposta foi permitir que os profissionais relacionassem as recomendações dos Guias aos fluxos, desafios e possibilidades concretas de reorganização do cuidado nas unidades de saúde.

“A metodologia utilizada nas formações favorece o aprendizado porque aproxima os participantes de problemas que podem surgir na rotina, permitindo que discutam condutas, responsabilidades da equipe, fluxos de acompanhamento e formas de comunicação com a população”, explica Acioli. Segundo ela, mais do que apresentar protocolos, as formações buscaram criar espaços de escuta, troca e construção coletiva com os profissionais. 

“Não basta apresentar um protocolo. É necessário construir caminhos para que ele seja viável na rotina da unidade de saúde”Marcela Acioli, gerente de políticas públicas do IEPS

Uma das dinâmicas propostas durante as atividades foi a construção coletiva da linha de cuidado real do território, realizada por meio de um “quebra-cabeça”. As formações também utilizaram jogos formativos, como os tabuleiros “Caminhos do Pré-Natal” e “Na Trilha da Pressão”, além de instrumentos de avaliação pré e pós-formação para identificar o ponto de partida dos participantes e as transformações viabilizadas pelas atividades. 

Jogos formativos, como o “Caminhos do Pré-Natal”, fizeram parte da metodologia das formações técnicas do Afluentes.

Jogos formativos, como o “Caminhos do Pré-Natal”, fizeram parte da metodologia das formações do Afluentes. Foto: Denix Almeida/IEPS

Segundo Acioli, essas estratégias tornaram o aprendizado mais participativo, favoreceram a troca entre profissionais de saúde e geraram evidências para o monitoramento do projeto. Esse conjunto de informações deve apoiar a identificação de avanços e de ajustes necessários para a implementação das linhas de cuidado em cada território.

O Afluentes

O Afluentes é um projeto implementado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) para apoiar e fortalecer estratégias de redução da morbidade e da mortalidade de gestantes e pessoas com hipertensão em áreas da Amazônia Legal com baixo acesso a serviços de saúde.

O projeto é financiado pelo programa Juntos pela Saúde, uma iniciativa idealizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gerida pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em parceria com a Umane. O Afluentes é realizado com apoio técnico do Projeto Saúde e Alegria (PSA) e da ImpulsoGov. Além do Juntos pela Saúde, o projeto também recebe apoio do Instituto Arapyaú e da Concertação pela Amazônia. 

O projeto também conta com o apoio e a parceria das Secretarias Municipais de Saúde dos municípios parceiros do projeto, que cumprem um papel fundamental para a implementação de todas as frentes de atuação do projeto.