As Conferências Nacionais de Saúde (CNS) são instrumentos centrais de participação social no Sistema Único de Saúde (SUS), responsáveis por reunir demandas, prioridades e propostas da sociedade para orientar a formulação das políticas públicas de saúde. Apesar de sua relevância, esses espaços enfrentam desafios históricos para que suas deliberações sejam efetivamente incorporadas aos instrumentos oficiais de planejamento, em especial aos Planos Nacionais de Saúde (PNS).
Esta pesquisa analisa o grau de alinhamento entre as diretrizes aprovadas nas Conferências Nacionais de Saúde e as prioridades expressas nos Planos Nacionais de Saúde, com foco na visibilidade e inclusão de grupos socialmente vulneráveis. A análise comparativa entre a 16ª e a 17ª CNS e os respectivos PNS evidencia diferenças significativas na forma como esses grupos são considerados nos processos participativos e no planejamento governamental.
Os resultados mostram que, enquanto a 16ª Conferência Nacional de Saúde dedicou atenção limitada aos grupos minoritários, a 17ª edição registrou um avanço expressivo, ampliando de forma substantiva as menções a mulheres, população negra, pessoas LGBT e pessoas com deficiência. No entanto, esse movimento não foi acompanhado pelos Planos Nacionais de Saúde correspondentes, que mantiveram padrões semelhantes aos ciclos anteriores, com foco restrito principalmente à população indígena, mulheres e crianças.
Ao evidenciar essas assimetrias, o estudo contribui para o debate sobre os limites e as potencialidades da participação social no SUS, reforçando a necessidade de mecanismos mais eficazes de articulação entre as Conferências e o planejamento em saúde, de modo a garantir que as demandas expressas pela sociedade se traduzam em políticas públicas concretas e orientadas pela equidade.
