Calor extremo aumenta mortalidade de idosos na cidade do Rio, mostra estudo do IEPS
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Pessoas idosas são as principais vítimas fatais do efeito do calor em dias de temperatura extrema no município do Rio. Nesses dias, há um aumento de 1,016 óbito por 100 mil habitantes idosos, o que representa cerca de 10 mortes adicionais, segundo a Nota Técnica n. 43 – Ondas de Calor no Rio de Janeiro e Mortalidade: Impactos Desiguais e Políticas de Mitigação, elaborada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. 

A análise revela que cerca de dois terços desses óbitos estão situados nos bairros mais quentes da cidade e apenas um terço decorre de choques térmicos que afetam toda a cidade ao mesmo tempo. Este resultado indica que mesmo durante meses de calor intenso generalizado, algumas regiões concentram os maiores aumentos de mortalidade.

Para Rudi Rocha, diretor de pesquisa do IEPS e um dos autores do estudo, os efeitos do calor extremo sobre a mortalidade revelam desigualdades profundas dentro da cidade do Rio de Janeiro. 

“Embora ondas de calor atinjam toda a cidade, o aumento da mortalidade de idosos é fortemente determinado por diferenças de exposição entre os bairros. Isso significa que políticas públicas voltadas para adaptação climática precisam considerar o território, combinando intervenções locais, como atenção primária e infraestrutura urbana, com preparo sistêmico para enfrentar ondas de calor que afetam toda a cidade”, afirma

O estudo utilizou dados de temperatura por satélite de alta resolução espacial combinados com informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS). A análise considerou principalmente óbitos por doenças crônicas na população com mais de 60 anos, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias e endócrino-metabólicas, causas diretamente relacionadas ao estresse fisiológico induzido pelo calor.

Clínicas da Família reduzem o impacto do calor moderado, mas não são suficientes diante do calor extremo

Os serviços de atenção primária, como as clínicas da família, podem reduzir em até 45% o impacto de ondas de calor moderadas, segundo a Nota Técnica. No entanto, esse efeito se enfraquece durante ondas de calor extremo, quando toda a cidade é submetida simultaneamente a elevados níveis de estresse térmico. 

Nessas situações, o acesso a prontos-socorros e a serviços de emergência torna-se essencial para mitigar os efeitos dos choques térmicos sobre a saúde da população.O estudo aponta ainda a necessidade de sistemas de alerta precoce, abertura de centros de resfriamento e mobilização coordenada dos serviços de saúde, aliados a mudanças na infraestrutura urbana e à adaptação das cidades, como a ampliação de áreas verdes e melhorias habitacionais.

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