Em 2025, o orçamento da saúde cresceu 2,9%, passando de R$233,3 bilhões para R$240,1 bilhões, entre a dotação inicial e a dotação após a inclusão de créditos adicionais. Os dados são do Boletim Radar+SUS n. 8 – Prioridades do Orçamento da Saúde em 2025, elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a Umane.
Segundo o boletim, as ações orçamentárias que receberam maior incremento de recursos foram aquelas responsáveis por programas priorizados pelo governo no último ano, como “Atenção à Saúde da População para Procedimentos em Média e Alta Complexidade”, “Manutenção e Funcionamento do Programa Farmácia Popular do Brasil pelo Sistema de Gratuidade” e “Formação e Provisão de Profissionais para a Atenção Primária à Saúde”, responsáveis pelo financiamento do Programa Agora Tem Especialistas (PATE), do Farmácia Popular e do Programa Mais Médicos (PMM). Essas ações apresentaram expansões de recursos na ordem de R$ 6,7 bilhões, R$ 2,1 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente.
A área de Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia, responsável pelas ações vinculadas ao fomento do Complexo Econômico Industrial da Saúde (CEIS), registrou a maior queda de recursos em 2025, com baixa de 81,5% entre a dotação inicial e a dotação após a inclusão de créditos adicionais, passando de R$ 1,2 bilhão para aproximadamente R$ 216 milhões.
Victor Nobre, Assistente de Relações Institucionais do IEPS e autor da pesquisa, destaca que o incremento de recursos parece seguir uma determinada tendência. “A análise mostra que a ampliação de recursos tende a privilegiar ações e serviços prioritários para o governo federal, em especial, voltados à gastos com custeio do SUS, através do remanejamento de recursos de investimentos. Essa prática, no entanto, acende um alerta sobre a sustentabilidade do sistema, pois reduz a capacidade de ampliação da infraestrutura do SUS e de políticas mais estruturantes de médio e longo prazo”, afirma.
Ampliação do orçamento segue tendência que privilegia custeio do SUS e reduz espaço para investimentos
O Boletim mostra que os gastos com despesas correntes, destinados à manutenção e ao funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), cresceram 5,6%, enquanto os investimentos foram reduzidos em 34,7%, passando de R$ 15,6 bilhões para R$ 10,2 bilhões. Esse movimento segue o padrão observado nos últimos anos, marcado pelo remanejamento de recursos de investimentos para custeio do SUS. Nobre explica que, ainda que necessário sob determinadas circunstâncias, esse movimento pode impactar na expansão da capacidade instalada do SUS a médio e longo prazo. É preciso que pensemos em outras alternativas para aumentar os recursos da saúde sem prejudicar os investimentos da pasta”, afirma.