No Brasil, é estimado que cerca de 20% dos jovens entre 10 e 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental. Mesmo com avanços em programas como a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), muitos jovens ainda não recebem a ajuda necessária, especialmente em comunidades mais pobres. Embora a quantidade de pesquisas sobre saúde mental tenha aumentado bastante nas últimas décadas, ainda é difícil transformar esse conhecimento em orientações práticas e políticas públicas que realmente apoiem profissionais e melhorem o cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes.
Com o apoio do Global Center for Child and Adolescent Mental Health (uma parceria entre o Child Mind Institute e a Stavros Niarchos Foundation) e do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) o artigo de revisão buscou mapear a base científica existente sobre a saúde mental de crianças e adolescentes no Brasil, compilando a ampla evidência sobre prevalência de transtornos (quantidade de pessoas com transtorno na população em um período de tempo), instrumentos de avaliação, e intervenções para saúde mental de crianças e jovens até 20 anos.
Foi realizada uma busca abrangente em bases de dados internacionais e regionais para localizar artigos científicos sobre temas relacionados à saúde mental, incluindo transtornos mentais, uso de substâncias, suicídio, maus-tratos, bullying, qualidade de vida, bem-estar, neurodesenvolvimento cognitivo, dificuldades de aprendizagem, traços de personalidade, alfabetização e literacia em saúde mental. Esse estudo incluiu os resultados de 734 estudos com 2576 estimativas de prevalência de saúde mental (ou dados sobre a frequência desses problemas), 908 artigos informando dados sobre 912 instrumentos de avaliação de saúde mental, e 192 estudos reportando 173 ensaios clínicos de intervenções (ou testes detratamento e intervenções).