O artigo “Emergency care centers, hospital performance and population health”, publicado no periódico Journal of Public Economics, investiga como a criação das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) — estruturas de emergência fixas, abertas 24 horas por dia, sete dias por semana — alterou o funcionamento dos hospitais públicos e a saúde da população no estado do Rio de Janeiro.
O estudo utiliza registros administrativos detalhados do sistema de saúde e identifica o efeito da abertura de UPAs sobre atendimentos ambulatoriais, internações, cirurgias, partos e mortalidade. Para isso, compara a evolução desses indicadores em localidades que receberam uma unidade com a de localidades que ainda não haviam recebido, isolando o efeito das UPAs de tendências que afetariam todo o sistema de qualquer forma.
A pesquisa mostra que as UPAs deslocaram parte da demanda de menor complexidade para fora dos hospitais, que passaram a concentrar-se em casos mais graves. Houve queda expressiva nos procedimentos ambulatoriais e nas internações evitáveis, aumento das cirurgias e dos partos, e redução da mortalidade dentro dos hospitais. No conjunto da população, porém, o total de mortes permaneceu praticamente estável.O trabalho evidencia como um nível intermediário de atendimento de emergência pode reorganizar o fluxo de pacientes e aliviar a pressão sobre os hospitais em um sistema público sobrecarregado — ainda que esse ganho de eficiência não se traduza em uma queda estatisticamente significante no número total de óbitos.
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