Este Boletim Çarê-IEPS analisa como a expansão da frota de motocicletas impactou de forma desproporcional a saúde da população negra no Brasil. Os resultados mostram que enquanto em 2010 a taxa de mortalidade entre negros era 7,5% superior à de brancos, em 2023 essa diferença alcançou 45%. Os modelos de regressão revelam que a duplicação da frota municipal está associada a um aumento da mortalidade 3,9 vezes maior para a população negra em comparação à população branca. A dimensão territorial dessas desigualdades é pronunciada: as regiões Norte e Nordeste registraram aumentos de 72,1% e 44,2%, respectivamente, na mortalidade da população negra entre 2010 e 2023, enquanto as taxas para brancos permaneceram estáveis. A taxa de hospitalização por acidentes motociclísticos entre a população negra é duas vezes superior à da população branca, evidenciando que a desigualdade se manifesta tanto na mortalidade quanto na morbidade.
