A abertura da primeira etapa da Jornada de Lideranças pela Regionalização da Saúde, realizada em São Paulo, na última quinta-feira (28/05), reuniu secretários estaduais, secretários-adjuntos e representantes do alto escalão das secretarias de saúde para discutir um dos principais desafios do SUS: transformar a regionalização em uma agenda concreta de coordenação, liderança e tomada de decisão. A iniciativa integra a atuação do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) no tema, por meio do Programa Redes, em parceria com a Umane e a Fundação Lemann.
Na cerimônia de abertura, Arthur Aguilar, diretor de Políticas Públicas do IEPS, afirmou que a regionalização é o caminho para tornar o sistema de saúde mais eficiente e fortalecer a coordenação interfederativa. “Esse é o caminho para ter um sistema de saúde em que o todo seja maior do que a soma das partes”, afirmou.
A abertura contou com a participação de Rasível dos Reis Santos Júnior, secretário de Saúde de Goiás; de Dirceu Hamilton Cordeiro Campelo, secretário de Saúde do Piauí; de Anderson Oliveira, secretário-executivo de Saúde de Pernambuco; de Maurício Simões, secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul; de Luciano de Moura Carvalho, secretário-adjunto de Saúde de Goiás; e Crhistinne Cavalheiro Maymone, secretária-adjunta de Saúde de Mato Grosso do Sul; além de representantes técnicos do alto escalão das secretarias de saúde presentes no encontro.
Segundo Aguillar, a presença dos participantes demonstra o compromisso das gestões estaduais com a regionalização e com a oferta de serviços de saúde em seus respectivos estados.
“Não vamos terminar essa Jornada apenas com mais conhecimento técnico, mas também mais calibrados para olhar os elementos políticos, refletir a partir de casos reais e planejar o que podemos fazer na realidade concreta dos estados”, afirmou.

Arthur Aguillar, diretor de políticas públicas do IEPS. Foto: Ana Patricia Almeida
Inovação, coragem e liderança
Evelyn Santos, gerente de Investimento e Impacto Social da Umane, destacou a importância de uma visão inovadora para fortalecer a capacidade dos gestores públicos de influenciar e liderar os processos de regionalização.
“A inovação proposta pelas organizações envolvidas na Jornada e no programa Redes são partes importantes do que reúne todos nós aqui. Acreditamos muito nesse trabalho, de organizações e pessoas que acreditam que é possível fazer dar certo, mesmo com tantos desafios”, afirmou.
Nesse sentido, Cristina Castellan, diretora da área de lideranças da Fundação Lemann, acrescentou que o SUS é um grande “case de liderança” e que o desafio da regionalização também exigirá senso de liderança dos gestores estaduais, que precisam agir com ousadia e coragem na construção de soluções para problemas complexos, como os da regionalização.
“O SUS existe porque, em algum momento, pessoas que tinham responsabilidade ousaram pensar em um futuro diferente e fizeram as articulações necessárias para que isso fosse possível. O desafio de agora é a regionalização da saúde, e tenho certeza de que as lideranças que estão aqui têm total capacidade de resolvê-lo, desde que criem espaços comuns e façam as articulações necessárias”, afirmou Castellan, acrescentando que a presença dos estados na Jornada representa um voto de confiança capaz de fazer diferença nos territórios.
Paulo Chapchap, diretor médico do IEPS, reforçou que a presença dos gestores públicos no evento representa compromisso com o SUS e coerência entre os valores defendidos e o trabalho que vem sendo construído nos estados.
“Escuta ativa, presença respeitosa, uso da força mínima no exercício da liderança. É dessa forma que conseguimos chegar a consensos, principalmente quando todos os lados estão interessados em colocar o paciente no centro”, afirmou.
Cidadão como foco da gestão pública e trabalho colaborativo
Dirceu Campelo, secretário de Saúde do Piauí, destacou a necessidade de blindar as políticas de saúde de interferências externas e até mesmo políticas, focando em abordagens técnicas como caminho para garantir os melhores resultados. “E o melhor resultado é o cidadão ser bem atendido”, afirmou.
Ele também destacou a urgência de evoluir no debate sobre a regionalização à nível nacional. “O SUS é o maior patrimônio brasileiro, mas tem problemas de financiamento. Como viabilizar esse sistema tão universal em um cenário de escassez de recursos? Os gestores locais precisam concentrar esforços para minimizar a questão das receitas e despesas”, diz.
Maurício Simões, secretário do Mato Grosso do Sul, enfatizou que o trabalho em rede deve ser a lógica da atuação pública na regionalização da saúde e destacou esse desafio no contexto sul-mato-matogrossense, que tem uma gama de regiões com perfis muito heterogêneos. “É preciso conhecer as realidades regionais dos estados, percebendo que o problema de um município pode afetar outro e que muitas vezes podem ser desafios semelhantes. Muitas vezes os gestores locais ficam muito concentrados nos seus próprios desafios”, afirmou.
Realidade do território
Luciano Moura, secretário-adjunto de Saúde de Goiás, reforçou a importância de conhecer as necessidades reais de saúde da população para viabilizar os arranjos político-institucionais necessários à regionalização.
“Não adianta propor políticas públicas estando apenas no nível central da gestão da saúde. Precisamos ir até os territórios, sentar com secretários municipais, técnicos e outros atores locais para compreender a realidade e as necessidades de cada população”, afirmou Moura, que acrescentou que a vontade política e a construção de pactos federativos bem-feitos também são fatores determinantes.
Por fim, Anderson Oliveira, secretário executivo de saúde de Pernambuco, também destacou a necessidade de conhecer o território. “A nossa rede de saúde é muito densa, então precisamos percorrer todos os municípios, analisando atenção primária, regulação, vigilância, tentando identificar as fragilidades e fortalezas desses municípios”, contou.
Próximos passos
A abertura da Jornada marca o início de um percurso que pretende apoiar os estados na elaboração de diagnósticos regionais, na formação de coalizões intraestaduais e na construção de planos de ação para fortalecer a regionalização ainda em 2026 e orientar projetos estruturantes para os próximos anos. Ao longo das próximas etapas, a iniciativa deverá aprofundar esse trabalho com foco em coordenação, pactuação e execução.








