INTRODUÇÃO – Desde março de 2020, Jair Bolsonaro tem se posicionado frontalmente contra as medidas recomendadas pela comunidade científica. Através da criação de uma dicotomia artificial entre economia e saúde, se colocou como principal opositor a qualquer política de restrição da circulação de pessoas e de distanciamento social. Foi além, criticou o uso de máscaras, estimulou aglomerações, incentivou comerciantes a abrirem seus comércios, e por fim advogou pelo uso de medicamentos e tratamentos sem eficácia comprovada contra a COVID-19.

Bolsonaro é uma liderança extremamente carismática, com uma conexão direta e grande capacidade de engajamento junto a seu eleitorado. Quando candidato em 2018, obteve 46% dos votos válidos no primeiro turno. A literatura científica aponta que lideranças políticas têm efeitos concretos no comportamento de seus seguidores. Para o caso brasileiro, o distanciamento social tendeu a ser relativamente menor, e a incidência de casos maior, em municípios que votaram mais em Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, logo após demonstrações públicas do presidente se posicionando pela minimização da gravidade da crise e do risco.

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