Financiamento da Cobertura Universal de Saúde em Tempos Desafiadores
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O Health Financing for Universal Health Care in Challenging Times: Leaving No-one Behind (HFACT) é um projeto de pesquisa coordenado pelo The Centre for Health Economics (CHE), ligado à Universidade de York, para estudar e fortalecer políticas de financiamento em prol de uma cobertura universal de saúde. O projeto foi criado com base no trabalho Global Health Econometrics and Economics Group (GHE2), da mesma universidade, e é uma iniciativa de pesquisa colaborativa entre instituições do Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul. 

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) são as instituições que representam o Brasil no HFACT e atuam em diálogo com o Center for Health Economics and Policy Studies (CHEPS), da Indonésia, o Institute of Economic Growth (IEG), da Índia, e o PRICELESS SA, da África do Sul. O projeto conta com o apoio do Imperial College London.

Atuação

O HFACT tem como objetivo principal auxiliar os países integrantes a melhorar suas políticas e programas de financiamento da saúde para garantir um progresso resiliente e sustentável da cobertura universal de saúde. A iniciativa busca dar ênfase às camadas pobres e “deixadas para trás” nesses territórios.

Para atingir esse propósito, o projeto possui quatro frentes de trabalho:

  1. Produção de pesquisas relevantes para políticas públicas, aplicando e desenvolvendo métodos inovadores de economia da saúde para enfrentar os principais desafios de financiamento da saúde que impedem o progresso da cobertura universal;
  2. Fortalecimento e expansão da capacidade de pesquisa no uso da economia/financiamento da saúde para a tomada de decisões entre pesquisadores acadêmicos e gestores;
  3. Fortalecimento e desenvolvimento de coalizões com legisladores, organizações da sociedade civil e a população para melhorar a relevância e a qualidade da formulação de políticas no financiamento da saúde;
  4. Parcerias com organizações internacionais, stakeholders e legisladores a fim de compartilhar descobertas, divulgar internacionalmente e influenciar políticas globais de cobertura universal de saúde

Linhas de pesquisa

Dentro do HFACT, o IEPS desenvolve as seguintes linhas de pesquisas:

  1. Impact of macroeconomic fluctuations on Domestic Fiscal Space for Health (DFSH), health expenditure, health outcomes and inequalities, que busca analisar o impacto das flutuações macroeconômicas regionais sobre o espaço fiscal sustentável para a saúde e os gastos com saúde, bem como compreender as consequências sobre os resultados em saúde e caracterizar as desigualdades.
  2. Shocks to health system resourcing in unequal systems and consequences for Universal Health Coverage: The Case of Mais Médicos in Brazil, que investiga a grande rotatividade de médicos no Brasil, explorando a saída repentina de médicos cubanos da atenção básica de municípios brasileiros. 
  3. Financial and racial inequalities in the use of health services and medical care in Brazil, que busca analisar se e com o financiamento da atenção primária à saúde está associado a diferenças na assistência médica e no acesso aos serviços públicos de saúde para brancos e negros no Brasil. A pesquisa busca estimar as desigualdades raciais no gasto e utilização dos serviços de saúde públicos e privados. 
  4. Health markets and private and public contracts: Characterization of the evolution and geographic distribution of the service network, incorporating data from the private sector, que realiza um um panorama da situação e evolução em anos recentes do setor da saúde suplementar no Brasil. O estudo visa caracterizar os três principais atores do subsistema privado de saúde para entender a distribuição territorial, a forma de organização do setor e as tendências de crescimento desse mercado; Além de analisar as mudanças institucionais recentes no setor de saúde suplementar em relação ao SUS.

Publicações 

Racial Inequalities in mental healthcare usa and mortality: A cross-sectional analysis of 1.2 million low-income individuals in Rio de Janeiro, Brazil 2010-2016

O artigo Racial Inequalities in mental healthcare usa and mortality: A cross-sectional analysis of 1.2 million low-income individuals in Rio de Janeiro, Brazil 2010-2016, assinado por pesquisadores do IEPS e do Imperial College London, investigou as desigualdades raciais e socioeconômicas no uso de cuidados de saúde primários, hospitalização e mortalidade por transtornos de saúde mental no Rio de Janeiro e concluiu um impacto significativo da raça e do status socioeconômico nos resultados de saúde mental da população. 

Doctor Turnover and Health Outcomes: Evidence from the Exit of Cuban Doctors in Brazil

O estudo Doctor Turnover and Health Outcomes: Evidence from the Exit of Cuban Doctors in Brazil analisa o impacto da saída repentina de médicos cubanos do Brasil, após o fim do Programa Mais Médicos, em 2019. Assinado por pesquisadores do IEPS e colaboradores do HFACT, a pesquisa revela que a saída de médicos cubanos reduziu os serviços de saúde relacionados às doenças crônicas, representada por uma despriorização no cuidado contínuo em saúde. O estudo ainda aponta que, neste período de rotatividade médica, houve um aumento no uso de serviços de pronto-atendimento para tratamentos de baixa complexidade.

Progress towards universal health coverage and inequalities in infant mortality: an analysis of 4·1 million births from 60 low-income and middle-income countries between 2000 and 2019

A pesquisa Progress towards universal health coverage and inequalities in infant mortality: an analysis of 4·1 million births from 60 low-income and middle-income countries between 2000 and 2019, assinada por Rudi Rocha, diretor de pesquisa do IEPS, e pesquisadores colaboradores do HFACT, como Thomas Hone, do Imperial College, revelou que a ampliação da cobertura universal de saúde, ocorrida entre 2000 e 2019, em 60 países de baixa e média renda, reduziu as taxas de mortalidade infantil, principalmente entre as populações relativamente menos pobres, mas não reduziu desigualdades socioeconômicas.

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